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A Morte e o Renascimento



Vamos falar sobre a Morte? Tão temida por nós, seres conscientes da impermanência das coisas e de nossa própria finitude, a inexorável Morte mostra sua cara e cumpre sua importantíssima função inúmeras vezes ao longo de nossas vidas. Como puderam notar, não estamos aqui apenas falando da morte do corpo físico, mas da morte como função psíquica, que atua como promovedora de mudanças necessárias para a continuidade da vida. O arcano 13 do Tarô é o encarregado de nos apresentar este arquétipo, simbolicamente representado pela imagem do ceifador, aquele que corta o velho e abre caminho para o novo.


A carta da Morte no Tarô está no chamado “caminho da dor”. O próprio nome dado ao caminho onde ela se insere nos responde porque a tememos tanto: ela dói, com diferentes intensidades, mas dói. Dói porque nesta energia temos a consciência de que algo precisa ser cortado, amputado, encerrado, e sempre se trata de algo que não queríamos ter que cortar, algo em que depositávamos esperança, ou algo que já carregamos conosco há tanto tempo que parece fazer parte de nós. Quando adentramos o território da Morte é certo que já alcançamos nossa resignação, ou seja, entendemos conscientemente que aquele caminho não serve mais para nós, não há alternativa senão a mudança pelo corte. Todos nós conhecemos este território, já estivemos lá ao menos uma vez: quando encerramos um relacionamento insatisfatório, quando largamos um emprego ou uma faculdade que não nos motiva mais, quando cortamos um mau habito prazeroso, quando aprendemos a dizer não para aqueles que nos sugam, quando cortamos e deixamos para trás coisas que não conseguimos mais carregar e que nos afastam de nossa verdadeira essência. Quando chegamos neste estágio, a Morte fará seu trabalho mais cedo ou mais tarde, e cabe a nós decidirmos com que postura iremos encarar essas mudanças; o potenciômetro da dor que sentiremos nesse processo está diretamente ligado à nossa capacidade de entender e integrar o respeito à morte e sua aceitação como processo orgânico e natural da vida.


A morte e a vida (nova vida) são faces da mesma moeda: para que algo nasça, algo tem que morrer, e sempre que algo morre, algo novo irá nascer. Podemos citar infinitos exemplos: quando nasce um bebe, morre uma parte da mulher que deu à luz, porque certamente sua vida e suas percepções nunca mais serão às mesmas de antes daquela transformação; então uma parte dela morre sim, e deve morrer mesmo, para que uma consciência maternal possa nela nascer. Quando nasce uma muda de planta, morre uma semente que deixa sua casca para trás e muda completamente de forma, e quando esta planta morre, deixa suas sementes para que possam germinar novamente. Quando morre um relacionamento, uma nova vida nasce para ambas as partes, e quem sabe talvez novos relacionamentos possam também nascer. Mesmo quando falamos da tão temida morte do corpo físico, vocês realmente acham que é o fim? Ou seria um renascimento em uma dimensão diferente? Se observarmos à natureza com atenção iremos perceber que absolutamente todas as mortes são renascimentos, e a morte física não escapa à esta regra. Então porque resistimos tanto à morte?

A consciência que o arcano 13 traz consigo é suficiente para enxergarmos que a morte se faz necessária para a continuidade da vida, em palavras mais claras, sabemos com muita segurança que não teremos como escapar dela naquele momento, não adianta fechar os olhos. A Morte passa a nos acompanhar em todos os momentos, como se ela entrasse nas nossas vidas e fizesse parte dos nossos pensamentos diários de forma recorrente, sem cessar, começamos a sentir sua presença e é aí que a dor começa. Sabemos o que temos que fazer, mas não queremos, dói. Nesse momento é importante conscientizarmo-nos da continuidade da vida, para que possamos então ter um olhar mais respeitoso para com a morte, que exerce uma função tão vital no mundo. Se conseguirmos confiar na “vida após a morte”, iremos segurar com consciência e firmeza no cabo da foice e, com coragem e sabedoria, ajudar a morte em seu trabalho, sem postergar, sem prolongar a dor para si mesmo e para os outros. A vida após a morte existe, será sempre uma vida nova, diferente, inexplorada, mas cheia de potencial e novos aprendizados. Quando naturalmente olhamos sob este prisma entendemos que não há o que temer, a morte é na verdade uma transformação.

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